terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Divina Música à margem do Vesúvio

Por Rogério Menezes *

Afundava-me em nebulosas especulações na vã tentativa de explicar por que diabos passarinhos do sul da Bahia (já havia visto cena similar aparentemente inexplicável na Igreja de Nossa Senhora do Amparo, em Valença) andam trocando árvores frondosas da Mata Atlântica por altares e adros de igrejas aparentemente claustrofóbicas. Desarranjo ecológico irreversível? Fervor religioso súbito dessas maviosas aves, que estariam trocando o culto à natureza pelo culto aos santos criados e idolatrados por nós, humanos?

Mais nebulosas especulações: que diabos teria feito com que passarinhos do litoral sul da Bahia agora resolvam construir ninhos em cocurutos de santos, em depositários de hóstias e em topos de crucifixos? Que diabos teria feito com que passarinhos do litoral sul da Bahia agora tenham transformado cocurutos de santos em latrinas onde ejetam suas fezes malcheirosas?

A essa altura dessa insana e intrincada elucubração, quase esquecera o que me levara à bela e colossal Catedral de Ilhéus, às margens plácidas do jorgeamadiano Bar Vesúvio, na noite quente de 27 de novembro de 2009: estava ali para assistir à apresentação da Orquestra Juvenil Dois de Julho, também conhecida como Neojibá. (Ao contrário do que se poderá imaginar, não se trata de palavra em iorubá, ou idioma similar, de fácil identificação com aquela Bahia folclórica e dejá vu a que estamos acostumados a lidar – e sim eloquente sigla que significa exatamente: Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia. Na batuta dessa bem-vinda idéia o maestro Ricardo Castro, baiano de Vitória da Conquista, e atualmente celebridade top de linha na música erudita produzida na Europa e alhures).

Ainda ensimesmava-me em decifrar as motivações que levaram passarinhos de Valença e de Ilhéus a trocarem as delícias tropicais da Mata Atlântica pelo causticante calor das igrejas, quando avistei vários guapos rapazes e moças, entre 11 e 25 anos, que saíam de porta de sala localizada à direita do grande altar e que, cheios de entusiasmo e gáudio e alegria, dedilhavam seus instrumentos, esquentando os, digamos, tamborins para a récita que começaria a seguir.

Verdade que, vez em quando, ainda conseguia tirar os olhos desses entusiasmados rapazes e moças visivelmente apaixonados pelo que fazem (tocar alguns das pérolas mais preciosas da grande música produzida no planeta nos últimos séculos) e acompanhava os vôos rasantes dos passarinhos entre uma Santa-Rita-de-Cássia e um São-Sebastião; ou entre um São-Judas-Tadeu e um São-Jorge-da-Capadócia. Mas, aos poucos, fui esquecendo os passarinhos e as motivações que os levaram a trocar os encantos da Mata Atlântica pelos altares de igrejas do sul da Bahia – e fui me deixando levar pela música sublime que os rapazes e moças da Orquestra 2 de Julho começavam a tocar.

Antes de revelar o estado de sublime emoção em que Ricardo Castro e seus ungidos me deixaram nos sessenta minutos seguintes, devo dizer o quanto a música me é cara e o quanto a música tem de sublime e de divina (seja qual for o Deus que estiver ao alcance de cada um). Ao contrário da literatura, do teatro e do cinema, a música não precisa tradução simultânea para ser entendida por neozelandeses ou japoneses; tibetanos ou egípcios; brasileiros ou eslovenos. A bordo de uma peça clássica de Mozart ou Bach, a mesma emoção será sentida por gente de todas as etnias, credos e ideologias.

Resumo da ópera: se o mundo ainda tem alguma salvação essa salvação talvez possa de dar através da música. Se não, adeus batucada.

Não sei se os meninos e meninas da Orquestra 2 de Julho têm opinião similar – mas acabei crendo que sim. Se não como explicar o verdadeiro arrebatamento com que executaram os clássicos de Beethoven e Dvorak que vieram a seguir? Tocavam como se estivessem salvando não apenas a si mesmos, a família e a pátria, mas como se estivessem (e, de alguma forma, de fato estão) salvando a raça humana da falência e da extinção múltiplas e totais. Havia um se-deixar-possuir-pela-música-que-tocava (em síntese: uma paixão), que é artigo cada vez mais raro nos (cínicos) dias de hoje dia mundo afora. (Ai de nós!)

Enquanto um passarinho fazia vôo rasante a boreste da cabeleireira à Carlos Gomes do maestro Ricardo Castro e um certo violinista demonstrava no rosto um sentimento de prazer incontido que se transformava em sorriso edificante, afoguei-me em certa lembrança e em certo arrependimento, que talvez nunca consiga me livrar: tive a chance de virar músico (estudei piano entre os 7 e os 10 anos, por insistência de minha mãe) – e não quis abraçar essa chance de virar músico por insistência de minha mãe, e acabei virando jornalista, e acabei virando escritor, décadas-luz da transcendência que a música pode alcançar (ai de mim!).

Mas agora, leite derramado, possibilidade nenhuma de, aos 55 anos, aprender a tocar qualquer instrumento musical, e, consequentemente, de salvar o mundo da falência múltipla e total, só me resta aceitar com humildade e estoicismo o destino que a vida me legou: o de chorar de emoção estética e de gritar bravos em altos brados sempre que ouço récitas musicais como essa que os meninos da Orquestra 2 de Julho, sob a batuta do maestro Ricardo Castro, protagonizaram na noite de 27 de novembro de 2009 numa Catedral de Ilhéus loteada por passarinhos.

Obrigado, meninas e meninas – com meninas e meninos tocando assim, tão apaixonadamente, talvez ainda haja alguma esperança de que a raça humana algum dia possa se tornar viável – e que passarinhos não precisem abandonar mais matas atlânticas e se recolherem em igrejas aparentemente claustrofóbicas.

Amém.

* O escritor e jornalista Rogério Menezes viaja pelo interior baiano a convite da Secretaria de Cultura da Bahia.
Artigo retirado do blog da III Conferência Estadual de Cultura.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Integrantes do NEOJIBA aprendem a ensinar com Susan Simán

Susan Simán realiza importante trabalho no ensino da iniciação musical

Entre os dias 16 e 21 de novembro esteve em Salvador a violinista venezuelana, da Miami Symphony Orchestra, Susan Simán. Ela veio a nossa terra com o objetivo de passar sua enorme experiência em iniciação musical, na propedêutica do ensino de música, em especial das cordas. Além disso, Susan fez ensaios com as cordas da J2J e OCA, e deu aulas individuais.

Esta é uma introdução do trabalho de Susan aqui. No início do ano que vem, com a mudança da sede do NEOJIBA para o Teatro do ICEIA, e com a inserção de novos alunos, ela retornará para preparar os integrantes do projeto a serem bons professores, passando a eles a propedêutica do ensino musical. Para ela, antes de ensinar como dar aulas se faz necessário o empenho em habilitar os músicos no seu desempenho como instrumentista e no seu papel na orquestra. "É preciso termos músicos sólidos, uma orquestra sólida, afinal sem músicos não há aluno".

Susan Simán tem um longo currículo como educadora, tendo sido por vários anos diretora do Centro Acadêmico Infantil de Montalbán (sede das orquestras infantis na Venezuela), onde desenvolveu centenas de atividades por inúmeros núcleos venezuelanos do FESNOJIV. Atualmente é diretora do Doral Conservatory, em Miami, e coordenadora de vários conservatórios e projetos de música em Nova York e Colorado (EUA), Porto Rico, México, Argentina, Colombia, dentre outros.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Concerto em Miami tem renda revertida para o NEOJIBA


Acontece hoje à noite em Miami concerto especial da Miami Symphony Orchestra que, além de homenagear os 50 anos da morte de Villa-Lobos, tem como objetivo a arrecadação de fundos para o projeto NEOJIBA. A apresentação, organizada pela Diretora Artistica e Fundadora Simone Leitão e pelo produtor-executivo Frederico Gouveia, conta com os artistas brasileiros convidados Luiz Fernando Malheiro (maestro), Edna d'Oliveira (soprano) e Simone Leitão (piano).

Com a missão de celebrar a cultura sinfônica brasileira e incentivar o crescimento da música clássica no Brasil, grande parte da arrecadação do concerto será doada ao NEOJIBA. Os fundos arrecadados da venda de ingressos serão encaminhados ao Banco de Instrumentos da Inter-American Cultural Development Foundation, em Washington, D.C., e o valor será investido na compra de instrumentos musicais para o NEOJIBA, em 2010.

Ações de apoio ao NEOJIBA, como esta, têm vindo dos mais diversos lugares. Exemplo disso, além do concerto em Miami, são a contribuição do Consulado venezuelano - que na última semana fez importante doação para a compra de materiais de luthieria -, e o concerto que será realizado em Lausanne pela École de Musique Pully, também em prol do NEOJIBA, no próximo dia 02 de dezembro (só para ficar nos exemplos do mês atual). Estes frutos foram colhidos através das sementes plantadas pelo próprio Ricardo Castro que, além de Diretor-Fundador do NEOJIBA, tem o importante papel de Embaixador do projeto, trabalhando pela divulgação e atração de parcerias em suas viagens pelo mundo. Ao mesmo tempo, demonstra o grande potencial de captação do NEOJIBA, que certamente tem muito a oferecer para o mundo e para seus jovens integrantes que - estes sim - são os grandes frutos dessa bela colheita musical.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Cônsul da Venezuela visita o NEOJIBA no TCA

A cônsul Coromoto Godoy (ao centro) visita o ateliê de lutheria do NEOJIBA

O NEOJIBA recebeu na tarde dessa terça-feira, dia 10 de novembro, a visita da cônsul geral da República Bolivariana da Venezuela em Recife, Coromoto Godoy Calderón, acompanhada da vice-cônsul Maria Dolores Mani. Elas foram acompanhadas pelo diretor-fundador do projeto, o maestro Ricardo Castro, pelo Secretário de Cultura do Estado da Bahia, Marcio Meirelles, e pelo representante da Câmara de Comércio Brasil - Venezuela de Salvador, Gilmar de Araujo.

Durante a visita, a cônsul fez a entrega de um cheque no valor de R$ 13.000,00, metade de uma doação que será repassada na íntegra até o início do ano que vem. Esse montante vai ser revertido em material para o primeiro ateliê de luthieria do NEOJIBA. A luthieria é a arte de fabricar e reformar instrumentos e o projeto já está preparando jovens músicos aprendizes para seguirem nesse ofício.

Além da entrega do cheque, a cônsul anunciou também uma futura parceria que vai disponibilizar cursos de espanhol para os integrantes das orquestras. Além disso, os estudantes de luthieria também foram convidados para participarem de estágio na Venezuela, nas oficinas do FESNOJIV, projeto no qual a criação do NEOJIBA foi inspirada.

Para o Secretário Márcio Meirelles, estreitar a relação com um país como a Venezuela é um caminho para se comunicar cada vez mais com a América Latina. O maestro Ricardo Castro também destacou a importância de uma doação feita por um país vizinho e aproveitou a oportunidade para apresentar aos visitantes a Orquestra Castro Alves (OCA), batizada nessa semana com o nome do poeta baiano, que executou algumas peças do seu repertório, assim como a Orquestra Juvenil 2 de Julho (J2J), formada por jovens de 11 a 25 anos, encerrando o encontro com música da mais alta qualidade.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

OCA estreia na 28ª Feira da Fraternidade

O jovem regente Yuri Azevedo conduz a OCA, a mais nova orquestra do NEOJIBA

No último domingo, 08 de Novembro, os presentes na tradicional Feira da Fraternidade, realiada no Barracão da Graça, puderam apreciar a estreia da Orquestra Castro Alves (OCA). A OCA abriu a apresentação com Ivana Dudnik regendo a Dança Húngara n° 2 de Brahms e trechos da Suíte Carmem de Bizet, seguida pelas coreografias da envolvente salsa Chamambo de Manuel Artes, com o jovem Yuri Azevedo regendo. Depois foi a vez de The James Bond Theme, trilha sonora das famosas aventuras de James Bond. Para finalizar, foi executado o arranjo da Abertura dos Mestres Cantores de Wagner com Dudnik na regência. A apresentação encantou e despertou a curiosidade de várias crianças presentes no local, como a pequena Amanda Santana, de apenas seis anos. Ao final do concerto ela veio curiosa até os oboístas da orquestra perguntar qual era o nome daquilo. "São muito bonitos estes instrumentos, vou pedir para minha mãe comprar para mim. Deve ser divertido tocar", disse ela.

Do piso A do TCA emergiu a nova orquestra do NEOJIBA. A OCA tem como base os membros da antiga OPE (Orquestra Pedagógica Experimental), que cresceu em qualidade e quantidade, com muito esforço, trabalho e estudo, deixando o titulo de experimental e dando um importante passo a sua frente.

A tradicional feira da Fraternidade é promovida pela comunidade paroquial sob o comando do Padre Luis Freitas, tendo como objetivo arrecadar fundos para ajudar as obras sociais da Paróquia Nossa Senhora da Vitória (Largo da Vitória). A feira também contou com barracas de gastronomia nacional e internacional, mostras de artesanato, brechós, barraca da sorte e a Tenda das Artes, que expôs obras de artistas plásticos, exibiu vídeos e promoveu oficinas artísticas.

sábado, 7 de novembro de 2009

J2J se apresenta no Prêmio Educadores Inovadores

O multicultural público do evento aplaude de pé a apresenação da J2J

Nesta sexta-feira, 06 de Novembro, a Microsoft e seus convidados receberam um belo presente do Governo da Bahia. A Orquestra Sinfônica Juvenil 2 de Julho (J2J), sob a regência de Ricardo Castro, fez um concerto impecável no Museu de Arte Moderna (MAM), para os cerca de 400 convidados dos mais diversos países do mundo. Eles apreciaram, dançaram e se emocionaram ao som da orquestra.

A J2J abriu a apresentação com a Dança Húngara n° 4 de Brahms e estreou de forma brilhante a Sinfonia n° 9 em Mi menor, op. 95 “Novo Mundo” de Antonín Dvorák. Após o intervalo para que as premiações do evento fossem entregues, a orquestra retornou ao palco para executar um repertório latino: foi desde o baião do Batuque, de Lorenzo Fernandez, até o Choro bem sincopado de Tico-tico no Fubá, de Zequinha de Abreu, que levaram os convidadosao delírio, com direito a trenzinho, embalados pela animada música. Antes, o regente convidado Samuel Robles, do Panamá, tomou a batuta em suas mãos e de forma dançante e envolvente regeu o Danzón n° 2 de Arturo Marquez, contando com Ricardo Castro ao piano. No merecido bis, os jovens tocaram animadamente Os Toureadores da Suíte Carmem, de Bizet, que ganhou um mini coral formado pelo público, que a esta altura já estava todo de pé, cantando e dançando. Estiveram presentes no evento de gala o Governador da Bahia, Jaques Wagner, a primeira-dama Fátima Mendonça, o Vice Presidente de Produtos Educacionais da Microsoft, Michael Golden e o presidente da Microsoft Brasil, Michel Levy.

O Prêmio Microsoft Educadores Inovadores é um Concurso que valoriza projetos que utilizam a tecnologia para revolucionar o ensino e o processo de aprendizagem das escolas brasileiras. Reconhecendo os melhores projetos educacionais desenvolvidos por educadores e gestores da rede pública pertencentes a Núcleos de Tecnologia Educacional , escolas públicas municipais ou estaduais, ONGs, fundações e escolas técnicas.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Franceses ministram oficinas de lutheria para o NEOJIBA

Os luthiers Christian Rault e Marie Murgue com a mão na massa

Entre os dias 02 e 09 de novembro uma equipe de profissionais franceses realiza oficinas de lutheria com os músicos do NEOJIBA. O luthier de cordas Christian Rault, a luthier de sopros Marie Murgue, coordenados por Philippe Bachman, irão ensinar a arte de restaurar instrumentos para alguns integrantes do projeto que deverão repassar seus conhecimentos aos demais componentes.

Nas oficinas, os alunos têm a oportunidade de reparar seus instrumentos e aprender de perto todo o processo de reforma, auxiliando e observando o trabalho dos artesãos. Segundo Luciano Afro, aluno de lutheria “sempre gostei de consertar instrumentos, muito antes de entrar no NEOJIBA já fazia isto, e por falta de incentivo não pude levar à frente. Aqui tenho material, professores e o incentivo que precisava. Tem sido muito produtivo.”

Christian Rault é luthier de cordas há 24 anos, formado pelo Instituto Internacional de Lutheria de Cremona, na Itália. Ele tem atuado em vários países – entre eles Espanha, México, Suíça, Marrocos e Cuba – ministrando aulas de lutheria. Marie Murgue é formada como luthier de sopros pelo Institut Technique Europeen des Metiers de la Musique (ITEMM), na cidade de Le Mans, França. Ela tem atuado intensamente ao longo de seis anos na arte da lutheria.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Quartetos da J2J se apresentam em Camaçari

Conduzidos por Richard Young, os quartetos da J2J interpretam obra de Shostakovich

Na última quarta-feira, 28 de outubro, a população camaçariense teve o prazer de ouvir a Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) e os Quartetos de Cordas da Orquestra Sinfônica Juvenil 2 de Julho (J2J) no Teatro Cidade do Saber, em Camaçari. A casa estava cheia, e contou com a presença de cerca de 500 crianças e jovens, integrantes de projetos sociais locais, que, em sua grande maioria, estavam assistindo a uma orquestra sinfônica pela primeira vez.
O jovem Abner Pinto, fagotista da J2J, abriu o concerto ao solar nos três movimentos do Concerto para Fagote e Orquestra em Si bemol maior, K.191 de Mozart, acompanhado pela OSBA, e sob a regência de Ricardo Castro. A jovem camaçariense Vanessa Fernandez, de 16 anos – mesma idade de Abner – ficou encantada em ver alguém tão jovem tocando tão bem. "Eu achava que só tocava na frente de uma orquestra quem era velho ou no mínimo adulto." E entre risos, completou: "Eu também quero tocar bem assim, se ele pode eu também posso".

Logo em seguida, foi a vez dos quartetos de cordas da J2J se unirem e formarem uma orquestra de câmara, para tocar o belo e profundo Quarteto de Cordas n° 8 em Dó menor op.110, de Dmitri Shostakovich. A extraordinária obra é bem característica do compositor, onde estão presentes a dança brutal do Allegro Molto com o pesado tema de guerra, o delicado sarcasmo do Allegretto, a sutileza do Largo de Abertura, lembrando uma fuga, e a profunda inteligência da construção musical dos dois últimos Largos. À frente dos quartetos estava o renomado violista da Vermeer String Quartet de Chicago, Richard Young, que esteve na cidade por duas semanas monitorando os jovens instrumentistas.

Para encerrar a tarde com chave de ouro a OSBA retorna ao palco para acompanhar a lindíssima interpretação, feita por Young, da peça Estudos Sobre Simples Sons (Concerto para viola nº. 2), composição contemporânea de Alexander Tchaikovsky (não o confundam com o conhecido compositor clássico Piotr Ilitch Tchaikovsky). Os quatro movimentos do concerto foram bem aplaudidos pelo público, que pôde presenciar a bela cadência improvisada com temas jazzísticos, acompanhados de piano e contrabaixo, em harmonia com o aveludado e intenso som da viola de Young. Um dia rico, de belas interpretações no Teatro do Saber.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Richard Young prepara quartetos de cordas da J2J

O renomado violista Richard Young faz intenso trabalho com as cordas da J2J

O violista do conceituado Vermeer String Quartet de Chicago, Richard Young, está em Salvador desde o dia 08 de outubro, com o objetivo principal de monitorar os quartetos de cordas da Orquestra Sinfônica Juvenil 2 de Julho (J2J), além de dar aulas aos integrantes do NEOJIBA. Young está fazendo um intenso trabalho de preparação com os jovens para, ensaiando o belíssimo – e supercomplexo – Quarteto de Cordas nº 8 de Dmitri Shostakovich. “Está sendo uma grande honra ter uma pessoa com o respaldo de Richard Young para nos ajudar com esta peça. Ele é muito bom e tem nos passado muita informação importante”, disse Filipe Vital, violinista da J2J e integrante de um dos quartetos que, no dia 28 de outubro, farão participação especial no Concerto Didático da OSBA, no Teatro Cidade do Saber, em Camaçari. Este concerto também contará com a participação do fagotista da J2J, Abner Pinto, como solista do concerto de Mozart em si bemol, com a OSBA, sob a regência de Ricardo Castro.

Richard Young é membro do Vermeer String Quartet desde 1985, e tem se apresentado nos mais prestigiados festivais ao redor do mundo. Já recebeu três indicações ao Grammy. É doutor honorário pela Dominican University e é um “Fellow” do Royal Northern College of Music em Manchester, Inglaterra. Young também realiza uma quantidade substancial de trabalhos voluntários em prol de crianças desassistidas – na People’s Music School em Chicago, e como supervisor do programa de extensão da International Music Foundation.

Luthier suíço ensina sua arte a jovens do NEOJIBA

O aluno de lutheria, David Matos, ao lado do luthier André-Marc Huwyler

Entre os dias 7 a 17 de outubro, o luthier suíço André-Marc Huwyler esteve em Salvador para ministrar aulas de lutheria para os integrantes do NEOJIBA interessados nesta aréa. Ele é um luthier com bastante respaldo no assunto, afinal são mais de 33 anos dedicados à arte da lutheria dos instrumentos de cordas. Para David Matos, aluno de lutheria e violoncelista da J2J, “o Andre é muito bom, o melhor que veio até agora em minha opinião. Além de entender bastante dos instrumentos de cordas ele sabe passar isso de uma forma muito fácil para nós”.

Além de ministrar a oficina de lutheria, Huwyler reparou muitos instrumentos dos integrantes do NEOJIBA, juntamente com os aprendizes, renovando não só os violinos, violas, cellos e contrabaixos, como também a motivação de quem os toca.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

NEOJIBA visita "El Sistema" na Venezuela

Integrante do NEOJIBA observa aula : aprender pedagogia venezuelana para aplicar na BA

Entre os dias 23 e 30 de setembro estiveram em Caracas, Venezuela, um grupo de 60 integrantes do NEOJIBA acompanhados de seu Diretor Fundador Ricardo Castro, para um intercâmbio pedagógico com a FESNOJIV, "El Sistema" de orquestras que existe há 34 anos e inspirou a criação do NEOJIBA. Os músicos tiveram a oportunidade de conhecer de perto as instalações e a pedagogia de alguns dos núcleos existentes na capital venezuelana, além de presenciarem diversos ensaios e concertos das principais orquestras locais.

Tendo como base da visita principalmente o Núcleo Infantil de Montalbán, os jovens puderam observar o dia-a-dia dos pequenos integrantes locais, e também dar e receber aulas. Conheceram também o moderníssimo Centro de Ação Social pela Música, nova sede da Fundação, que conta com uma estrutura de última geração: salas de ensaio para a prática instrumental e coral, biblioteca informatizada, salas de concertos, concha acústica ao ar livre, centro audiovisual, e muito mais. Lá, os nossos jovens puderam também acompanhar ensaios das orquestras Simón Bolívar e Teresa Carreño. Além disso, dois dos músicos baianos tiveram a oportunidade de passar os seus dias no Centro de Luthieria de Caricuao, aprendendo com grandes mestres as mais variadas técnicas dessa arte.

Foi também grande o número de concertos prestigiados por nossos jovens em Caracas, como os da Simón Bolívar A e B e Ensamble de Metais, sempre na Sala José Ribas, no belo Teatro Teresa Carreño. Numa dessas apresentações estava presente o Diretor Fundador da FESNOJIV, o maestro José Antonio Abreu que, diante de todo o público, fez questão de felicitar e dar as boas vindas à delegação baiana de músicos, que ficou de pé sob os aplausos da plateia.

Por fim, os jovens retornaram pra casa com a bagagem cheia de aprendizado, através de uma integração muito bem-sucedida, gerando diversos contatos para um futuro próximo, de bons frutos a serem colhidos. E mais do que isso, todos puderam ver de perto o milagre da multiplicação existente na Venezuela - onde nasceram grande número de orquestras, através do repasse do conhecimento -, dando um novo ânimo a todos para trazer essa realidade à nossa Bahia.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

OPE e J2J se apresentam em homenagem aos idosos

A J2J e a OPE se apresentam juntas, pela primeira vez, no palco do TCA

Na última terça-feira, 22 de setembro, os jovens do NEOJIBÁ apresentaram um concerto muito especial em homenagem ao mês do Idoso. Pelo segundo ano consecutivo, o CREASI (Centro de Referência Estadual de Atenção a Saúde do Idoso) levou mais de 1.000 pessoas à sala principal do Teatro Castro Alves e puderam assistir gratuitamente ao programa.
Em primeira mão puderam ver uma série de concertos, tendo como solistas alguns integrantes da Juvenil 2 de Julho (J2J), como o Concerto em Lá menor de Bach para Violino, executado por Rebecca Baratto, o concerto para Dois violinos de Vivaldi, tocado pelas irmãs Hosana e Helena Ibarra, o concerto para Fagote de Mozart, por Abner Silva e o concerto para Flauta Transversal e Harpa de Mozart, executado pela flautista Ana Júlia Bittencourt e a harpista Mariana Tudor.

Após os concertos, pela primeira vez ao longo destes dois anos de existência á J2J uniu-se à Orquestra Pedagógica Experimental (OPE), onde tocaram com muito vigor a Dança Húngara de Brahms. Logo depois, a J2J despede-se do publico – no dia seguinte 60 integrantes embarcaram para a Venezuela – se junta à platéia, e a OPE finaliza o programa com o Te Deum de Richard Wagner e o Carinhoso de Pixinguinha, com direito a dança e a um discreto coral formado pelo público. Como bis repetiram a Dança Húngara, só que desta vez sem a presença da J2J e das partituras, arrancando muitos aplausos da plateia.

O CREASI é a unidade de referência da Secretaria de Saúde do Estado para atendimento ao idoso. Localizado no Centro de Atenção à Saúde Professor José Maria de Magalhães Netto, próximo ao Iguatemi, o centro já atendeu, desde a inauguração, há seis anos, cerca de 12 mil pacientes. No local, é realizado um trabalho de assistência integral, com atenção individual e em grupo, oficinas terapêuticas, psicoterapia, grupos de convivência, assistência familiar e atividades educativas.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

J2J se apresenta em Euclides da Cunha

O jovem Yuri Azevedo rege a Orquestra Juvenil 2 de Julho em Euclides da Cunha

Neste último sábado, dia 19, a Orquestra Sinfônica Juvenil 2 de Julho foi até Euclides da Cunha para participar das celebrações do 76º aniversário de sua emancipação e do centenário da morte do escritor que dá nome à cidade. Na abertura do concerto, para entrar no clima do Sertão, a J2J tocou o arranjo de Asa Branca feito pela orquestra, com regência de Ricardo Castro, e logo em seguida executaram a Suíte Estância de Ginastera, arrancando muitos aplausos da platéia, que se animou com toda a energia e movimentação da orquestra. Na sequência, Ricardo passou a batuta para o jovem regente Yuri Azevedo, que conduziu o Batuque de Fernandez, Los Toreadores, da Suíte Carmem de Bizet, e para finalizar, o Tico-Tico no Fubá de Zequinha de Abreu.

Estiveram presentes no evento o Governador da Bahia, Jaques Wagner, o Secretário de Cultura da Bahia, Marcio Meirelles, a prefeita da cidade, Fátima Nunes, entre outras autoridades. Além deles havia uma praça lotada de pessoas que, em sua maioria, nunca puderam ver uma orquestra sinfônica. Segundo a euclidense Maria Aparecida Brito, “O máximo que já vimos aqui foi a Filarmônica de Irecê. A passagem de som de vocês foi um verdadeiro aprendizado para mim, pois desconhecia o nome e o som de muitos dos instrumentos que estavam ali. Foi muito emocionante ver uma Orquestra Sinfônica de perto aqui.”

O município de Euclides da Cunha fica no nordeste baiano e, ainda hoje, guarda em sua extensão marcas da guerra de Canudos. Na principal praça da cidade, a da Bandeira, está a casa que serviu de quartel-general para as forças republicanas. Até mesmo o nome da região tem ligação com a história. Ele é uma homenagem ao escritor e jornalista Euclides da Cunha que registrou no livro, “Os Sertões”, a saga de Antônio Conselheiro, um dos lideres do movimento.